OS LIMITES NECESSÁRIOS

 Nunca é tarde para aprender a colocar limites

 

Nós humanos, de maneira geral, movidos por sentimentos não muito plausíveis, pensando em não ofender ou criar antagonismos a terceiros, ou até mesmo procurando evitar situações constrangedoras, deixamos de aproveitar as oportunidades que nos são colocadas para estabelecer “limites” a terceiros.

Por terceiros, deve ser entendido todo e qualquer tipo de seres humanos com os quais temos ou venhamos a ter um relacionamento de qualquer natureza. Portanto incluem-se: marido, mulher, filhos, pais, avós, parentes, chefe, subordinado, amigos, conhecidos e desconhecidos.

Às vezes alguém passa dos limites para conosco, e momentaneamente não damos atenção. Mais tarde, nossos pensamentos retornam àquele ponto, e aí pensamos... “Fulano” exagerou e passou dos limites... Eu deveria tê-lo enquadrado, estabelecendo um limite, pois se assim o fizesse na próxima vez poderíamos ter um melhor relacionamento.

Existe aquele tipo de pessoa que mesmo que tentamos colocar limites sobre ela, a mesma continua exacerbando. Nesse caso, se tivermos que continuar mantendo relacionamento, devemos ser insistentes e persistentes em também lembra-la até onde os limites se cruzam.

 

Limites entre Pais e Filhos

Acredito que entre todos os tipos de relacionamento que praticamos, um dos que mais pode nos incomodar com grandes desconfortos, e às vezes eternos desconfortos, está alojado nas premissas conduzidas entre Pais e Filhos., onde muito cedo deveriam ser colocados limites claros, compreensíveis de maneira franca e respeitosa mas por razões diversas, os Pais baixam a guarda e persistem numa situação desequilibrada.

Principalmente entre Pais e Filhos, devemos compreender que a imposição de limites dos Pais para com os Filhos, jamais deverá nortear-se por algum tipo de punição ou castigo. Ao contrário, significa educar um filho, onde ele poderá por si mesmo começar a trilhar sua vida com auto-respeito, aprender a responsabilizar-se pelos seus atos, expressar-se sem pré-conceitos, melhor compreender seus relacionamentos, respeitar seus semelhantes, e acima de tudo estar preparado para estabelecer limites quando necessários.

Também deve ser abominado qualquer tipo de limitação através do poder financeiro. Assistimos muitas vezes que Pais infelizes com certas atitudes de seus filhos os ameaçam com cortes ou redução da mesada. Exemplo: Se for reprovado, corto a mesada ao meio; Se bater o carro, estará proibido de dirigir por 30 dias; Se gastar mais de R$ 100,00 com o celular, cancelarei a linha, etc.

A punição simples suportada pelo poder do dinheiro, não educa, traumatiza, compromete e ao contrário poderá até persistir. Para evitar isto, é necessário dar uma solução através de um bom diálogo, procurando extrair de uma situação ruim, um aprendizado, e desse aprendizado estabelecer limites de responsabilidade, e assim sendo se persistir no erro os limites já estarão em andamento, tornando bem mais fácil para ambos os lados.

Portanto, como premissas básicas, não devemos nos preocupar com o nível de relacionamento, ou nos intimidar com a outra parte. Ao sentirmos que a “outra parte” excedeu seu limite, é o momento correto de esclarecermos uma forma de melhor conduzir os futuros relacionamentos. Faça isto com calma, respeito e educação, e de preferência sem elevar o tom da voz. Faça a sua parte e exija seus direitos.

Viva feliz e sorridente, dentro de seus limites.

Gerson Ferrari