Ponto de Vista
Naquela manhã, no
início do final de semana um
pai quis dar uma lição de
vida ao seu filho. O Pai
vindo de família rica, quis
mostrar ao filho como vivia
uma família pobre.
Levaria seu filho de
nove anos numa viagem para o
interior com o firme
propósito de mostrar as
discrepâncias entre ser rico
e ser pobre. Eles se
dirigiriam a um sítio,
(pequena fazenda na área
rural) que distava cerca de
duas horas de viagem, de sua
residência. Sítio esse, de
pessoas nas quais o avô do
garoto conhecera e levara o
próprio pai do garoto para
visitar por ocasião da sua
infância.
Pai e filho, então,
se dirigiram até o local e
passaram o final de semana
em convívio com aquela
família, de restrito poder
financeiro.
Quando retornaram de
viagem, o pai fez algumas
perguntas ao filho, que
respondeu com
espontaneidade:
- Como foi a
viagem, meu filho?
- Muito boa,
papai!
- Você viu
como as pessoas podem ser
pobres?
E o garoto
respondeu: Sim, eu vi papai!
- E o que
você aprendeu, com o fato de
conviver um pouco com eles
na pobreza? perguntou o pai.
Neste momento o
filho parou um pouco,
refletiu e posteriormente
começou a responder a
pergunta que o pai havia lhe
feito.
- Eu vi
papai, que nós temos um
cachorro em casa, e eles têm
cinco, três pequenos e dois
grandes, sem dizer do
restante daqueles
animaizinhos que ficam
espalhados por lá em alegres
estripulias; temos uma
piscina que pega o centro do
jardim, eles têm um riacho
que deságua num lago sem
fim; Nós temos uma
varanda para descanso,
coberta e iluminada, eles
têm a cobertura imensa do
céu que está repleto de
estrelas como nunca havia
visto nada parecido, e a luz
da lua a iluminar o tempo
todo de descontração; O
nosso jardim do quintal vai
até os limites do portão de
entrada, eles têm uma
floresta inteirinha como
ajardinado, sem dizer
daquele pomar maravilhoso
com aquelas frutas
fresquinhas e deliciosas;
Nossa casa é cercada de
muros altos e grades de
ferro em todos os lugares, a
casa deles têm a liberdade a
perder de vista!
Enquanto o pequeno
garoto respondia, seu
pai ficava atônito,
estarrecido e boquiaberto,
com as comparações que ele
mesmo havia pedido
indiretamente para que o
filho fizesse.
E o filho
ainda acrescentou:
- "Obrigado
papai, por me mostrar o
quanto nós somos pobres!"

Viver e interpretar
o mundo com alma de criança
faz nós estarmos livres,
para pensar e agir sem
vínculos, dogmas e o ranço
que os adultos, depois de
formados, carregam por toda
a sua vida, toldando os
olhos com as situações e
imposições definidas com o
que é socialmente correto.
Massifica-se, ao
invés de libertar, de forma
grotesca a formação de uma
opinião, que poderia ser
única, partindo de uma
cabeça pensante, em
arraigados padrões a serem
seguidos de forma cega, que
por muitas vezes levam as
crianças a insatisfação e a
serem futuros pais
frustrados, descarregando na
sua próxima geração,
(filhos) todo seu distúrbio
acumulado, querendo deles o
que não conseguiram para si,
tolhendo e cerceando o
direito da livre escolha,
que seria o sensato.
Viva e deixe viver
nas outras pessoas também, a
alma simples, limpa, pura e
sincera, como é o coração de
uma criança,
independentemente da sua
idade, e conviverá com uma
saudável leveza de espírito,
sendo assim, um dos
primeiros elos da corrente
da tão procurada modificação
no rumo da sonhada e
proferida aos quatro ventos,
"IGUALDADE SOCIAL".
Texto de Valdir Trombini
Gimenes
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