Mensagem Especial - 18 de novembro de 2004

MENSAGEM ESPECIAL

18 de novembro de 2004



Ponto de Vista

Naquela manhã, no início do final de semana um pai quis dar uma lição de vida ao seu filho. O Pai vindo de família rica, quis mostrar ao filho como vivia uma família pobre.
 
Levaria seu filho de nove anos numa viagem para o interior com o firme propósito de mostrar as discrepâncias entre ser rico e ser pobre. Eles se dirigiriam a um sítio, (pequena fazenda na área rural) que distava cerca de duas horas de viagem, de sua residência. Sítio esse, de pessoas nas quais o avô do garoto conhecera e levara o próprio pai do garoto para visitar por ocasião da sua infância.
 
Pai e filho, então, se dirigiram até o local e passaram o final de semana em convívio com aquela família, de restrito poder financeiro.
 
Quando retornaram de viagem, o pai fez algumas perguntas ao filho, que respondeu com espontaneidade:
 
       - Como foi a viagem, meu filho?
       - Muito boa, papai!
       - Você viu como as pessoas podem ser pobres?
       E o garoto respondeu: Sim, eu vi papai!
       - E o que você aprendeu, com o fato de conviver um pouco com eles na pobreza? perguntou o pai.
 
Neste momento o filho parou um pouco, refletiu e posteriormente começou a responder a pergunta que o pai havia lhe feito.
 
       - Eu vi papai, que nós temos um cachorro em casa, e eles têm cinco, três pequenos e dois grandes, sem dizer do restante daqueles animaizinhos que ficam espalhados por lá em alegres estripulias; temos uma piscina que pega o centro do jardim, eles têm um riacho que deságua num lago sem fim; Nós temos uma varanda para descanso, coberta e iluminada, eles têm a cobertura imensa do céu que está repleto de estrelas como nunca havia visto nada parecido, e a luz da lua a iluminar o tempo todo de descontração; O nosso jardim do quintal vai até os limites do portão de entrada, eles têm uma floresta inteirinha como ajardinado, sem dizer daquele pomar maravilhoso com aquelas frutas fresquinhas e deliciosas; Nossa casa é cercada de muros altos e grades de ferro em todos os lugares, a casa deles têm a liberdade a perder de vista!
 
Enquanto o pequeno garoto respondia, seu pai ficava atônito, estarrecido e boquiaberto, com as comparações que ele mesmo havia pedido indiretamente para que o filho fizesse.
 
       E o filho ainda acrescentou:
       - "Obrigado papai, por me mostrar o quanto nós somos pobres!"
 

Viver e interpretar o mundo com alma de criança faz nós estarmos livres, para pensar e agir sem vínculos, dogmas e o ranço que os adultos, depois de formados, carregam por toda a sua vida, toldando os olhos com as situações e imposições definidas com o que é socialmente correto.
 
Massifica-se, ao invés de libertar, de forma grotesca a formação de uma opinião, que poderia ser única, partindo de uma cabeça pensante, em arraigados padrões a serem seguidos de forma cega, que por muitas vezes levam as crianças a insatisfação e a serem futuros pais frustrados, descarregando na sua próxima geração, (filhos) todo seu distúrbio acumulado, querendo deles o que não conseguiram para si, tolhendo e cerceando o direito da livre escolha, que seria o sensato.
 
Viva e deixe viver nas outras pessoas também, a alma simples, limpa, pura e sincera, como é o coração de uma criança, independentemente da sua idade, e conviverá com uma saudável leveza de espírito, sendo assim, um dos primeiros elos da corrente da tão procurada modificação no rumo da sonhada e proferida aos quatro ventos, "IGUALDADE SOCIAL".
 
Texto de Valdir Trombini Gimenes